Fraudes em concursos(PF, RF, OAB) podem levar a mudança de regras, diz Min. Planejamento

16/06/2010 15:02

 O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse nesta quarta-feira (16) que as fraudes em concursos públicos, detectadas pela Polícia Federal, que deflagrou a Operação Tormenta, podem levar a uma revisão das regras dos concursos públicos no país.

"Temos de tomar as medidas para que isso não ocorra mais. Os concursos têm de ter lisura. Tinha gente que ia fazer prova com equipamento eletrônico. Temos de olhar os resultados da investigação e tomar providências. Isso vai levar a demissões", disse ele a jornalistas.

Segundo ele, o Ministério do Planejamento vai aguardar o término das investigações da Polícia Federal para pedir um assessoramento sobre as fraudes encontradas e o que pode ser feito para impedi-las no futuro.

"Há cerca de cinco milhões de pessoas estudando para concurso no país. As pessoas têm de entrar por mérito e não por fraude. É muito importante esse trabalho que eles [Polícia Federal] estão fazendo", disse o ministro do Planejamento.

Operação Tormenta
O comando da PF em Brasília revelou nesta quarta-feira que a quadrilha envolvida no caso atuava há pelo menos 16 anos na violação de provas. Doze pessoas foram presas. “Quando as investigações se aprofundaram, a gente constatou que estávamos diante de uma grande organização criminosa com pelo menos 16 anos de atuação”, afirmou o delegado que comandou a operação, Victor Hugo Rodrigues Alves.

Nesta fase da investigação foram expedidos 12 mandados de prisão temporária, 34 mandados de busca e apreensão, sendo 21 na Grande São Paulo, um no Rio de Janeiro, três na região de Campinas (SP) e nove na Baixada Santista. Durante a execução dos mandados, os agentes apreenderam dinheiro, equipamentos para fraude e cadernos de provas nos endereços abordados. “Já encontramos pontos eletrônicos, cadernos de provas, dólares em grande quantidade”, revelou Alves.

Os 12 envolvidos no esquema serão enquadrados nos crimes de formação de quadrilha, violação e sigilo funcional, estelionato, receptação e falsificação de documentos públicos. Já os candidatos identificados irão responder por crime de receptação e estelionato. Os candidatos não foram presos porque não seriam integrantes da quadrilha. “Eles apenas participaram da fraude e serão indiciados pro estelionato”, explicou o diretor de Inteligência Policial da PF, Marcos David Salem.

A PF iniciou as investigações a partir de informações obtidas durante a investigação sobre o concurso para agente da PF, em 2009. A partir de fevereiro deste ano, com o aprofundamento dos trabalhos, a PF identificou que a quadrilha atuava em todo o país, mediante o acesso aos cadernos de questões, antes da data de aplicação das provas. Além do concurso da PF, o grupo teve acesso privilegiado às provas do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB (2ª fase/2010) e do concurso da Receita Federal (auditor-fiscal/1994). Outros concursos como o da Abin e da Anac estão sob suspeita, diz a PF. A investigação, no entanto, é o que vai poder identificar se os candidatos conseguiram aprovação a partir do esquema.

Foram identificados 53 candidatos que tiveram acesso à prova de agente federal, pelo menos 26 candidatos que tiveram acesso à prova da OAB e há indícios de que 41 candidatos tenham tido acesso à prova da Receita Federal. Ainda de acordo com o delegado, a quadrilha chegava a cobrar até US$ 50 mil de cada candidato que participasse da fraude no caso do concurso para agentes da PF. “O concurso da OAB eles cobravam R$ 50 mil, para agente da PF US$ 50 mil e já temos conhecimento de que para o concurso para delegado da Polícia Federal eles iriam cobrar US$ 150 mil”, afirmou Salem

 

fonte : http://g1.globo.com/politica/noticia/2010/06/fraudes-em-concursos-podem-levar-mudanca-de-regras-diz-bernardo.html

 

 

 

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