Falta de comunicação e falta de efetivo da PRF dificulta o trabalho

19/10/2010 13:00

RIO - A falta de diálogo entre as polícias Civil e Rodoviária Federal prejudica o planejamento do patrulhamento nas rodovias federais no Rio - como a BR-116 (Rio-Teresópolis), onde o cantor Ivan Lins e a mulher foram assaltados na terça-feira . A avaliação é do chefe da seção de policiamento e fiscalização da PRF, inspetor Davi Stanley. A PRF sequer é informada, por exemplo, sobre os crimes ocorridos nas rodovias federais e que foram registrados nas delegacias da Polícia Civil. Com isso, não fica sabendo onde os bandidos estão agindo. Staley afirmou ter procurado a Chefia de Polícia Civil, nas últimas semanas, para resolver o problema, mas também cobra maior participação da população.

- Já fizemos um primeiro contato com o comando da Polícia Civil. Estamos em contato com os delegados distritais e comandantes de batalhão para que as informações cheguem até nós. Mas é preciso a ajuda da população. O resultado é mais eficiente quando a sociedade participa - analisa.

Somente na 60ª DP (Campos Elíseos), onde está sendo investigado o roubo do carro de Ivan Lins, são registrados, pelo menos, dois assaltos na Rio-Teresópolis durante os fins de semana. Denúncias sobre roubos nas rodovias federais podem ser passadas à PRF por meio do telefone 191.

O inspetor da PRF também admite que o efetivo não é suficiente para evitar assaltos e a fuga de bandidos pelas rodovias federais. Ele ressalta, no entanto, que as ações criminosas são facilitadas por olheiros e veículos batedores. Sabendo que são poucas as viaturas da PRF que circulam pelas rodovias e da distância entre os retornos, pessoas - geralmente menores de idade - ficam nas passarelas ou esquinas à espera das viaturas. Quando elas passam, os bandidos são informados que a pista está livre. Já os chamados veículos batedores passam pelas pistas e informam às quadrilhas se há blitz em algum ponto.

- É a velha história do gato e do rato. Esse tipo de ação só pode ser combatida com inteligência e estamos tentando identificar as pessoas e os veículos - acrescentou.

Stanley afirmou que como não há, por enquanto, previsão de aumento para o efetivo da PRF no Rio, ele tenta otimizar o patrulhamento. Segundo o policial, os trechos onde ocorrem mais assaltos passarão a ter o patrulhamento reforçado, nos feriados e fins de semana, por agentes que atuam em regiões com menos registros. Na próxima semana, um grupo de policiais rodoviários passará por um treinamento para combater assaltantes.

- Estamos planejando um remanejamento de policiais, principalmente em feriados prolongados. Por isso, precisamos ter acesso às informações registradas nas delegacias da Polícia Civil. Assim que tivermos a mancha criminal das rodovias federais, poderemos planejar o reforço - comentou.

Na manhã de quarta-feira, no mesmo trecho onde Ivan Lins foi assaltado, não havia policiamento. A parte da estrada corta o bairro Vila Maria Helena, onde moradores relatam os muitos assaltos que acontecem na rodovia.

- Os ladrões agem, geralmente, da mesma maneira: fecham a rodovia com um carro e assaltam os motoristas. A ação é muito rápida e as vítimas ficam no meio da estrada - contou Carlos Junqueira, morador do bairro há dez anos.

Outro morador, Antônio José da Silva, de 65 anos, 30 deles no bairro, contou que os assaltos a pedestres também são constantes:

- Após 19h e antes das 5h, nunca embarco ou desembarco do ônibus aqui neste ponto da estrada. Uso o ponto de ônibus da passarela, que fica distante uns dois quilômetros. Ando mais um pouco, mas evito os assaltos. Não há um dia sequer que não tenha um pedestre assaltado aqui.

Para escapar da ação dos bandidos, motoristas evitam a estrada à noite. O empresário Carlos Silva, de 43 anos, mora no Rio e tem uma casa em Teresópolis. Ele conta que costumava ir para a serra às sextas-feiras à noite, após o trabalho. No entanto, mudou a rotina após um amigo ser assaltado na rodovia:

- Ele ficou a pé, igual ao músico, só que no meio da madrugada. Isso foi há dois anos. desde então, só viajo durante o dia. Quando não dá para sair cedo do trabalho na sexta, deixou para subir no sábado de manhã - afirmou.

Quem não tem a mesma oportunidade, conta com a sorte.

- Vou para Friburgo quase toda sexta-feira, sempre durante a madrugada. Nunca vejo patrulha ou blitz. Há quatro anos, fui parado numa fiscalização. Depois disso, nunca mais - disse um motorista.

O GLOBO procurou a Polícia Civil para saber o número de registros de roubos nas rodovias federais. A assessoria de comunicação da instituição alegou não ter tempo suficiente para responder, já que a pesquisa seria demorada, porque as delegacias não são informatizadas. A assessoria de comunicação não conseguiu confirmar se houve o encontro com representantes da PRF.

Após o assalto, o cantor Ivan Lins afirmou que pretende se mudar do Rio de Janeiro. Segundo o músico, os bandidos estavam agressivos e muito bem armados.

 

Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/10/13/apos-assalto-ao-cantor-ivan-lins-inspetor-da-prf-diz-que-falta-de-dialogo-com-policia-civil-afeta-patrulhamento-nas-rodovias-do-rio-922781473.asp

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