Agente da PRF de Santa Catarina em força-tarefa no Rio de Janeiro conta como é a rotina de medo

26/11/2010 14:04

O Estado de Santa Catarina contribui com a força-tarefa montada para combater a onda de violência que atingiu o Rio de Janeiro nos últimos dias. Nesta quinta-feira, 12 agentes do Corpo de Motociclistas do Núcleo de Operações Especiais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) chegaram à cidade fluminense.

Um dos agentes conta como é a rotina de medo na cidade. Ele diz que as equipes nunca saem em apenas um veículo:

— Nas ruas e rodovias, sempre estamos em comboio de dois a três carros, com quatro agentes em cada um. Nunca saímos em apenas uma viatura. Mas os policiais que sentem a maior pressão sãos os militares que estão na operação nas comunidades. Nossas equipes estão conseguindo reforçar o trabalho de segurança. Não temos muito contato com a população, já que nas abordagens a gente acaba não conversando muito, ninguém quer falar sobre o assunto. Mas percebo que os moradores se sentem mais confortáveis com a presença de mais policiais — relata.

Os agentes da PRF de Santa Catarina estão divididos em dois grupos na operação Egide. O Núcleo de Opressões Especiais participa da fiscalização dos acessos e saídas da cidade e o corpo de motos faz escoltas. O objetivo é inibir os atentados nas rodovias e capturar os foragidos e, para isso, os policiais estão utilizando armamento pesado, como pistolas, fuzis 556 e 762 e carabina.

De acordo com o agente, uma das equipes faz o policiamento nas rodovias federais, como a BR-101 e a BR-040:

— Nos dedicamos mais à Via Dutra, por ligar a cidade com a Baixada Fluminense, onde os marginais de Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão estão preferindo se deslocar, em busca de outras comunidades carentes.

Ele explica que o policiamento é feito de dia e à noite e que a equipe é experiente:

— Desde que houve o reforço da Polícia Rodoviária Federal de outros estados, não houve mais atentados nas estradas federais. A maioria dos policiais que estão comigo já são experientes nesse tipo de situação tensa, pois, como eu, participaram de outras operações, como aquela contra os ataques antes do Pan-Americano, em 2007, também no Rio.

O agente conta que os catarinenses ainda ficarão um tempo na cidade e que procura sempre conversar com a família:

— Com as implantações das unidades de polícia pacificadora, de tempo em tempo vão acabar sendo deflagradas essas operações, por causa dos confrontos e deslocamento de traficantes. Acredito que devemos ficar mais de uma semana aqui. Para tranquilizar minha mulher e meu filho de sete anos, ligo sempre que posso para dizer que está tudo bem.

Pacto federativo

De acordo com o chefe de comunicação social da PRF, Leandro Andrade, a ajuda catarinense no Rio de Janeiro faz parte do pacto federativo, em que o governo federal se compromete a ajudar os estados, além de enfatizar o caráter nacional da instituição, que atua em todo o país. Em Santa Catarina, a PRF conta com 485 agentes.

Pelo menos 1,2 mil policiais que estavam em serviços burocráticos dentro dos batalhões do Rio também foram remanejados para as ruas. Desde terça-feira, a Polícia Militar fez ações em 17 favelas.

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&section=Geral&newsID=a3121892.xml

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